Uma das imagens que mais me marcaram, nos últimos anos, foi o olhar de Zidane para Buffon na final da Copa do Mundo. Só para recapitular, Zidane agrediu um jogador italiano. Buffon, o goleiro da Itália, viu e o dedurou para o assistente do árbitro. E isso mudou a história da final da copa.
O contexto deve ser explicado. Buffon e Zidane eram grandes amigos. Jogaram juntos por anos na Itália. E, certamente, não foi nada agradável ser dedurado por um amigo, mesmo sendo a final da copa do mundo.
Tá, mas porque essa cena me marcou?
Por favor, repare no olhar de Zidane para o ex-colega. É algo absurdamente poderoso, apesar de singelo. Demonstra uma profunda mágoa e decepção.
Agora, imaginem se ele gritasse, esperneasse, chorasse. Será que teria o mesmo efeito? Provavelmente não.
Zidane demonstra toda sua dor sem exagero. Ele aponta para o amigo, faz uma sutil cara de decepção e dispara um olhar arrasador. Nenhum gesto exagerado.
E percebam o quanto Buffon ficou perturbado com isso.
Em semiótica, segundo Barthes, existe o óbvio e o obtuso. O óbvio seria Zidane fazer uma cara escrachada de raiva e resmungar, xingar o amigo. O obtuso é o sutil. É um olhar sutil, mas absurdamente denso. E segundo o próprio Barthes, é ali onde mora um poderoso ingrediente da comunicação. Porque sempre parece mais verdadeiro. Ou vocês acham que um ator conseguiria imitar facilmente o olhar de Zidane?
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Assinar:
Postagens (Atom)